O livro dos Myers
Podiam-se ouvir os passos acelerados
pisando sobre as poças d'água. Susanna e Damon corriam o mais depressa
possível.
- Vamos,
Damon. Nessa velocidade, eles vão nos alcançar.
- Irmãzinha, você
sabe que eu estou apenas lhe acompanhando. Se eu quisesse, já estaria a anos
luz longe daqui. - Susanna deu um sorriso e continuou a correr. - Precisamos
chegar a um campo aberto. Aqui por entre esses prédios, estamos perdidos e
certamente, mortos. - Falou o pequeno rapaz.
- Com certeza,
pirralho. Se eu não estiver enganada, mais uns cinco minutos nessa direção e
chegaremos ao parque.
- Ah, moleza
então. Quem chegar por último paga a próxima refeição. - Falou o ágil Damon, e
saiu correndo á frente da garota.
Susanna tinha 19 anos e não atendia
aos padrões de beleza convencionados pela maioria dos homens. E ela não se
importava com isso. Usava roupas pretas na maior parte das vezes e seu cabelo
era muito escuro. Tinha os braços cheios de tatuagens e um alargador em sua
orelha direita. Era alta, mas não o suficiente para torná-la esquisita.
Certamente, era muito bonita, mesmo que fora dos padrões.
Ela trazia em sua mão direita um
martelo de guerra, dado por Gabriel. O engraçado e intrigante era a facilidade
que ela tinha para carregá-lo como se seu peso fosse insignificante.
Seu irmão não se parecia em nada com
ela. Damon tinha 15 anos. Era pequeno e magro. Ao contrário de Susanna, seus
cabelos eram de um louro quase dourado. Essa diferença dava-se ao fato de
Susanna ser adotada e ele, não. Damon tinha como arma uma adaga. Era a arma
perfeita, pois com sua agilidade, ele fazia um tremendo estrago quando lutava
com os tais demônios.
Damon usava esse óculos de uma lente
só, dado a ele por Gabriel, junto com sua adaga, para que pudesse enxergar os
demônios. Ele é um mortal e só soube da existência desse mundo por trás da
terra por culpa de sua irmã. Após um longo e entediante discurso de Gabriel sobre
como era importante que ninguém mais soubesse sobre tudo, o Anjo concordou em
deixar o Damon fazer parte da Guerra. Não porque ele acha-se correto, mas
porque Susanna concordou em batalhar somente se o seu irmão pudesse ir junto,
já que por culpa disso tudo, os dois perderam seus pais.
E desde então, Damon e sua irmã
vivem por ai tentando dar cabo do máximo de demônios que eles puderem.
- Ali, Damon! Chegamos
ao parque.
Susanna se virou, tirou um cigarro
do bolso e o acendeu: - Hora da diversão.
Eram aproximadamente cem demônios
contra somente os dois. A agilidade de Damon talvez fosse o que mantinha os dois
vivos. Eles avançaram contra as criaturas, matando uns três ou quatro por
segundo. Era incrível como os dois juntos se transformavam em uma máquina de
exterminar criaturas infernais. Damon, com sua super agilidade. E Susanna com a
força de sua super arma.
Em menos de trinta segundos não
havia mais rastro algum de nenhum demônio. Susanna bateu a cinza do cigarro e
disse:
- Essa foi moleza.
Acho que batemos um recorde.
- Certamente, a
mais fácil de todas. - Respondeu o rapaz.
- Então, vamos
adiante que o lugar em que Gabriel pediu para que fossemos encontrá-lo fica a
algumas horas daqui. E pelo que ele falou, lá a diversão vai ficar mais
intensa.
- Ele falou algo
sobre o porquê precisamos ir para lá? - Perguntou Damon.
- Não. Só disse
que era importante que fôssemos e que chegássemos a tempo, pois eles
precisariam de nós.
- Hum. Estranho.
Mas tudo bem, quanto mais desses pra dar fim, mais divertida a viagem.
Então os dois seguiram, por cerca
de duas horas, sem encontrar mais nenhum demônio no caminho.
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